Thursday, February 26, 2009

autorretrato

pavor de trovão, aflição de som de garfo arranhando fundo de panela, memória de elefante pra coisas completamente inúteis mas que me fazem dormir melhor (como lembrar de onde conheço aquele coadjuvante do filme b que vi semana passada), relaciono  pessoas com causos contados (o que evita muita vergonha) mas acabo dando fora por querer mesmo. não acredito em “para sempre” mas confesso que queria acreditar, odeio fazer o gênero mulherzinha mas tenho medo e nojo de insetos e anfíbios em geral, tenho mais medo de sapo do que de ladrão. sou a filha clichê que não se entende com o pai e se sente incompreendida e desconfia das pessoas, but i’m working on it. acho que existem expressões incomparáveis em inglês, mas nada chega aos pés do “foda-se”. acho que sou um pouco insensível, logo, se você quer ouvir aquelas mentirinhas baratas, eu não sou a pessoa certa pra isso. odeio guardar segredos, se algum dia você me perguntar se pode me contar alguma coisa eu posso responder um belo de um NÃO e fim de papo, é isso ai. vivo fazendo de conta que não vi na rua pessoas que não gosto, e se me perguntarem, respondo que fiz de conta que não vi e que não faço de conta que gosto mas veja só, eu também sou boazinha, mas não abusa. acho que não acredito em Deus, mas eu sou uma pessoa cheia de incertezas e acho que um dia isso me mata. apesar de dormir assistindo filmes, ainda assim assisto muitos (e você pode concluir, e vai estar certo, que eu também durmo muito). não acho que maternidade vai ser parte da minha vida, e honestamente, não ligo, mas eu gosto de crianças. algumas. mas não em tempo integral (e o resto do mundo me faz sentir culpa por ser assim, saco). tenho a eterna sensação de “i don´t fit”, mas sei que sobrevivo. os livros brotam debaixo da minha cama, por isso nunca consigo terminar de lê-los, deve ser isso, só pode ser isso, certo, certo? odeio conversas sobre arte e cultura em geral, odeio gente que conversa sobre isso, odeio odeio muito. lembrei, pra equilibrar as coisas negativas, adoro comida (boa) e doces (enjoativos - sim, você leu certo) e café (de qualquer jeito, até frio da garrafa térmica do dia anterior), e chuva e céu nublado e cidade vazia e andar de metrô e olhar as pessoas e dormir em rede e lençóis branquinhos e cheiro de bolo e piadas infantis e jogar baralho e andar descalça e vento na cara e não ter horário e trabalhar (quando aparece trabalho) e fotografar só por diversão mesmo.

achei adequado falar de mim no primeiro post no blog novo.
não sei o quão grande (aka chato?) ficou esse post, mas decidi tentar ao máximo não me policiar. logo, não revisei o texto, sorry pedantes.

Posted by lihiga in 05:07:19 | Permalink | Comments (4)